sexta-feira, 28 de maio de 2010

O MUNDO

Cada um sabe das dores que tem. Apenas nao gostamos de admitir.Por vergonha, ou medo do que vao pensar.As coisas que passam em nós, nao sao segredos.Se fossem, nao sabiamos.Sao cartas claras, escritas a mao. Uma letra que conhecemos bem. Mas nao dizemos nada, nem uma palavra. Fingimos sua inexistência.
Para isso recorremos aos profissionais,aos amigos. E todos querem que leia mos as nossas cartas em alto e bom tom, nao para que o mundo inteiro nos ouça, mas o suficiente apenas para que nos mesmos nos ouçamos. Lê-las é continuar vivendo. Ainda que no momento monologo, as lágrimas se derramem, encharcando a nossa alma, ardendo os nossos olhos. Ainda que alguem que amamos nos escute, nao compreenda e fuja de nós.
Mas mesmo sabendo dos efeitos benéficos, as vezes me recuso a ler. Prefiro sentir a dor bravamente como uma mãe a parir. Sinto-me tão guerreira, tao brava. Mas agora chegou o momento que nao posso mais adiar,o Meu corpo avisa me que nao suporta mais guardar tantas coisas. É hora de falar, de gritar. É hora de por para correr os velhos monstros adormecidos, tomar decisões, assumir a raiva sem sorrir. Deixar que os outros vejam como eu sou realmente, sem me sentir culpada por isso.
Que abram as portas dos bastidores! E que venha a vida com todos os seus embaraços e alegrias. Estou pronta, e se nao estiver, nao ha problema.

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